Folhas soltas (Google eBook)

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Magalhães & Moniz, 1876 - Portuguese poetry - 283 pages
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Page 211 - Como os anjos do céo (se o não sonharam...) Quiz mostrar-me que, o bem, bem pouco dura. Não sei se me voou, se m'a levaram, Nem saiba eu nunca a minha desventura Contar aos que inda em vida não choraram.
Page 63 - A creação infinita ! O pão nosso, n'esta lida De cada dia, nos dá Hoje, e basta ... a luz da vida Quem sabe o que durará ! E perdoa-nos, Senhor, As nossas dividas ; sim ! Grandes são, mas é maior Essa bondade sem fim ! Assim como nós (se é dado Julgar-nos tambem crédores) Perdoamos de bom grado Cá aos nossos devedores.
Page 211 - Foi-se-me pouco a pouco amortecendo A luz que n'esta vida me guiava, Olhos fitos na qual até contava Ir os degraus do tumulo descendo.
Page 32 - A contemplá-lo bem ; Porque espalha o teu rosto uma luz santa, Uma luz que me prende e que me encanta...
Page 66 - E então rapa frio e fome... Um inverno a infeliz Chega-se á formiga e diz : — Venho pedir-lhe o favor De me emprestar mantimento, Matar-me a necessidade ! E, em chegando a novidade, Faço até um juramento, Pago-lhe, seja o que for ! — Mas, pergunta-lhe a formiga, O que fez durante o estio?
Page 90 - E fóra o que levavam por detraz. Elle, calvo, figura magestosa, Ar de capitalista portuguez, Com seus botões de pedra cor de rosa Em punhos postos a primeira vez. Contemplava eu o quadro, arrependido De...
Page 209 - Despe o luto da tua soledade E vem junto de mim, lirio esquecido Do orvalho do céo! Tens nos meus olhos pranto de piedade, E se és, mulher! irmã dos que hão soffrido, Mulher! sou irmão teu. Consolos não te dou, que não existe Quem de lagrimas suas nunca enxuto Possa as de outro enxugar: Não póde allivios dar quem vive triste, Mas é -me doce a mim chorar se escuto Alguem tambem chorar.
Page 91 - Elle começa a rir assim d'esguelha Para a mulher que estava muito sonsa ; A mãi desata a rir para a mais velha, Que desatou a rir para a mais moça : E eu. . . para todas tres ; por achar graça, Não só no dito...
Page 60 - N'este mar cavado embora, Vou na barca salvadora, Que é a Fé ! Não me assusta a multidão De inimigos que me aggride; Contra a Torre de David Tudo é vão ! Por feroz que esteja o mar, De repente forma um lago!
Page 242 - A vida é o dia de hoje, A vida é ai que mal soa A vida é sombra que foge, A vida é nuvem que voa ; A vida é sonho tão leve Que se desfaz como a neve E como o fumo se...

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