Um discurso sobre as ciências

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Edições Afrontamento, 1987 - Science - 58 pages
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RESENHA CRÍTICA
SANTOS. Boaventura Sousa. Um Discurso Sobre as Ciências. 6ª ed. São Paulo: Cortez, 2009. 92 p.
Wildson Ferreira da Cruz
Boaventura de Sousa Santos, Nascido em Coimbra, é Doutor em Sociologia do Direito. Professor Catedrático da Faculdade de Economia da Universidade de Coimbra e Professor Visitante da Universidade de Wisconsin-Madison, da London School of Economics, da Universidade de São Paulo e da Universidad de Los Andes. Diretor da Revista Crítica de Ciências Sociais. Prêmios: Ensaio Pen Club Português, Gulbenkian de Ciências e Bordalo da Imprensa. Principais Obras: Pela mão de Alice: o Social e o Político na Pós-Modernidade.(1994); Critica da Razão Indolente contra o desperdício as experiência (2005) ; Universidade no Século XXI: para uma reforma democrática e emancipatória da Universidade; Conhecimento Prudente para uma Vida Descente: Um discurso sobre as ciências revisitado (2004)
A obra foi escrita 15 anos antes do inicio do século XXI. Iniciada com críticas as ciências estudadas no final daquele século, pois para o autor as ciências ainda têm suas bases teóricas e dogmas de estudos pautadas no passado, e que tecnologicamente ainda vivemos no século XIX. As incertezas da Ética nas ciências levam um olhar para o futuro, mas dialético, ocorrendo duas situações distintas. O século começa ante de começar; com uma sociedade de comunicação e envolvida na interação de conhecimento tecnológico sem as inseguranças de outros tempos ou o século termina antes de começar, onde o mau uso e as inseguranças sobre conhecimentos tragam desastres naturais e guerras nucleares.
Boaventura faz um resgate histórico, pois “tal como em outros períodos de transição, é difícil de entender e de percorrer, se faz necessário voltar às coisas simples, a capacidade de perguntar coisa simples” baseado nos questionamentos de Rousseau que em seu tempo já argüia sobre a Ciência e a Virtude, e mostra que esses mesmos questionamentos ainda se fazem necessários em nosso tempo, as nossas perguntas devem ser mais rousseaunianas do que as respostas. Essas respostas não podem gerar inteligibilidade, então demandará um esforço maior, tanto sociológico como psicológico.
Há uma análise da crise hegemônica e uma descrição da nova ordem científica emergente. Dividido em três capítulos: o paradigma dominante, a crise do paradigma dominante, e o paradigma emergente, este subdividido em quatro características: Todo conhecimento científico - natural e científico - social, todo conhecimento é local e total, Todo conhecimento é autoconhecimento e todo conhecimento científico visa constitui-se em senso comum.
Em o paradigma dominante é traçada uma linha temporal entre os séculos XVI e XIX, onde o modelo de racionalidade científica é construído e ligado intimamente com as Ciências Naturais e somente estendido as Ciências Sociais a partir do século XIX, montado no modelo global de racionalidade científica. Tal modelo era totalitário na medida em que negava o caráter racional a todas as formas de conhecimento que não pautassem os princípios epistemológicos e regras metodológicas.
Acreditava-se em uma única forma de conhecimento totalmente positivista desde as descrições da teoria do heliocentrismo a ordem cósmica de Newton. A natureza era passiva, cujos elementos poderiam ser montados e desmontados e depois se poderiam traçar leis. O rigor científico era pautado na quantificação, e medições, conhecer era primeiro quantificar, as qualidades do objeto de estudo era desconsiderada. Esse paradigma transcorrer na descoberta das leis da natureza em que a ciência moderna privilegia o como funciona em detrimento de qual o agente ou qual o fim. Essa visão mecanicista de observar o mundo tem como pressuposto que existe uma estabilidade no mundo, onde o passado se repete no futuro.
Na outra vertente encontram-se as ciências sociais com seu próprio estatuto epistemológico e metodológico, baseado nas..
 

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