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Folhas verdes:

versos dos quinze annos (Google eBook)
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Livraria de Anselmo de Moraes, 1869 - 290 pages
  

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Page 219 - Mas que monta isso ? Õ que a arte pedia aqui não era a totalidade dos periodos historicos, mas sim a verdade de um ou alguns d'elles. As edades que o poeta tocou com a sua vara magica erguem-se vivas no seu poema, e quaes foram, quaes deveram ser, verdadeiras, sentidas, levantam-se e apparecem brilhantes de realidade, movendo-se no largo campo da arte. Estudar a antiguidade c facil; interpretal-a póde fazel-o a meditação ; sentil-a só o olhar prophetico do poeta o logra.
Page 220 - Sapho, agora descubertos n'algum templo da Jonia ou do Pireu. Mas não: o poeta moderno vê-se ali, vê-se ali o artista, que estuda tanto, quanto sente, na arte infinita com que soube juntar n'um poema todos os elementos da vida da Grecia patriarchal. Os amores e os Deuses, os...
Page 237 - ... o poeta figura-nos o filho adoptivo de Maria guiado por um anjo, que o admoesta por este theor: Porque na dor mortal te precipitas? Porque foges da vida ea insultas ? Porque apagas a luz que tanto fitas ? Porque é que no festim do mundo, a occultas, Foste tocar só do veneno a taça, E a tua consciencia não consultas ? « Este anjo é que insultava immerecidamente o velho desterrado em Pathmos! Nas visões do evangelista, em que relanço transluziu ao snr. Braga o desalento impio, o horror...
Page 217 - Eu não admiro levemente as poesias do livro chamado Folhas verdes. É causa disto a idade do autor então, ea minha idade agora. Avalio-as como sentimento, e acho-as falsas: é isto, nem pode deixar de ser, defeito meu, perda da segunda vista com que estas coisas são dignamente e acertadamente examinadas e definidas. Avalio-as como linguagem, e acho-as desprimorosas. Examino-as como objecto de medida, e acho-as em divórcio com as pautas legisladas pelos mestres, aos quais ninguém desobedece,...
Page 236 - Séculos de Victor Hugo, quebranta-se virtualmente, e desluz-se no animo do leitor methodico; isto, porém, de leitores methodicos, a meu juizo, não apontam a sua superciliosa censura a poemas; o que fazem é saborear-lhes a bella desordem, os caprichos seductores, a galanice das formas.
Page 218 - Porém, que profundo e complicado lavor se operou no espirito do snr. Braga, ao correr de cinco annos? Que horisontes se lhe desdobraram ! De que pontos culminantes da região ideal os olhos da aguia, esvoaçada do baixo terreno do lyrismo vulgar, aprofundou do alto a vista penetrante aos grandes cyclos da...
Page 254 - N'essas vejo e comprehendo milhares de bellezas de primeira ordem, e assomos de uma verdadeira inspiração, rara em toda a parte e em todos os tempos, taes emfim, que poderiam dispensar todos aquelles apparatos scientificos com que v.
Page 219 - Descer a todos os infernos, voar a todos os paraizos, que a alma do homem tem atravessado desde a hora primeira do seu genesis, não é trabalho de um livro, nem de um poeta. Victor Hugo não o chegou a fazer na sua Legenda dos Seculos.
Page 218 - É para assombro esta rapida adolescencia, esta validez de espirito, que veste de roupagens tangiveis todas as abstracções, incorpora todo o vago espiritual, ata com subtil engenho as correlações das cousas...
Page 236 - Cahindo a dor me eleva. . . Senhor, Senhor, Senhor ! O fragmento é brilhante: não carecia de decorar-se com o epitheto, algum tanto phantastico, de poesia biblica, para estremar- se entre as mais lustrosas paginas do livro.

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