A s’ndrome da Rainha Vermelha: policiamento e segurança pública no século XXI

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J. Zahar Editor, Jan 1, 2006 - Social Science - 311 pages
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Marcos Rolim, especialista em segurança pública e direitos humanos, oferece uma visão reveladora e desconcertante de um dos assuntos mais prementes da atualidade - a segurança pública. Utilizando dados da moderna criminologia, analisando exemplos e fazendo uma análise comparativa de diversas práticas policiais internacionais, o autor mostra como as polícias podem ser repensadas e quais os parâmetros mais promissores para uma reforma eficaz. Com prefácio de Luiz Eduardo Soares e linguagem clara e acessível, o livro - cujo título é uma metáfora à personagem Rainha Vermelha, da galeria fantástica de Lewis Carroll - é indicado não só a especialistas, mas a todos os interessados no tema.

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PREVENÇÃO E FATORES DE RISCO
O que nos pode dizer a moderna criminologia
Em seu trabalho sobre o desenvolvimento da criminologia na Inglaterra, Garland (2002:p.8) sustenta que a nova ciência teria
surgido a partir do encontro de dois projetos:de um lado, aquilo que denomina “projeto governamental”, de políticas públicas voltadas pragmaticamente para interesse da administração do crime e dos “criminosos”; de outro, o “projeto lombrosiano”, interessado em encontrar cientificamente a diferença entre “criminosos e não-criminosos.
As conclusões da criminologia só poderão universalizar suas assertivas à medida que forem apresentadas como tendências, e não como verdades absolutas. Parece não restar dúvidas, entretanto, de que não é mais possível pensar o crime na modernidade desconsiderando a abordagem criminológica.
Um estudo sobre os gastos anuais com segurança pública no município do Rio de Janeiro, contabilizados os custos hospitalares e os do sistema persecutório e da justiça criminal, as transferências sociais em seguros, os anos perdidos por mortes prematuras etc., estimou um prejuízo anual de 2,5 bilhões de reais – cerca de 5% do PIB municipal. Esses números seriam ainda mais expressivos caso fossem contabilizados os gastos com segurança privada e os efeitos inibidores da violência sobre os negócios e os investimentos. Em 1995, considerando apenas os gastos orçamentários, o governo de Minas Gerais gastou 940 milhões de reais com seu sistema de segurança, o que equivale a 10% do orçamento realizado naquele ano.
ESTRATÉGIAS DA PREVENÇÃO
No Brasil, normalmente, quando se fala em prevenção ou da criminalidade, imaginam-se as possibilidades vinculadas diretamente às chamadas “políticas sociais”.
Em primeiro lugar, desconsidera-se o papel das polícias na prevenção, seja porque se acredita que ele não pode mesmo ser efetivo, seja porque se avalia que os eventuais efeitos positivos produzidos pela ação policial seriam, por definição, insuficientes e incapazes de alcançar qualquer repercussão digna de nota.
 

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