Arthur Omar: o esplendor dos contrários : aventuras da cor caminhando sobre as águas do rio Amazonas

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Cosac & Naify, 2002 - Landscape photography - 208 pages
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Neste livro Arthur Omar procura extrair sentidos ocultos sob a aparência da imagem fotográfica. Com textos esclarecedores do próprio artista, a paisagem e o homem amazônicos escapam dos registros ecológico, turístico e jornalístico. Ao transformar cores e superpor e espelhar imagens, Omar mostra a Amazônia como um lugar de ressonâncias míticas e magnéticas, renovando a iconografia da região.

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Esplendor da Amazônia, por Arthur Omar
Autor: Fernando Oliva. Fonte: Caderno 2 do Estado de São Paulo. Estadão.18/01/2003. Sábado, dia 18 de janeiro de 2003.
No livro Esplendor dos Contrários, o artista cujas lentes já registraram o carnaval e o Afeganistão, enfoca a região amazônica Imagens compõem um percurso às vezes assustador e sinistro, feito de árvores, galhos, terra, rios, barcos homens e animais.
São Paulo - Depois do carnaval brasileiro e da guerra no Afeganistão, o artista brasileiro Arthur Omar volta suas incansáveis lentes para a Amazônia. Mais uma vez, trata-se de um projeto nada modesto, a começar pelo título do livro, lançado pela Cosac & Naify: O Esplendor dos Contrários - Aventuras da Cor Caminhando sobre as Águas do Rio Amazonas (208 págs., bilíngüe, R$ 89).
Segundo ele, o objetivo da obra é o mesmo que persegue há três décadas: renovar a iconografia brasileira, desautomatizar os discursos viciados, as grades retóricas e conceituais impostas pela mídia e que se interpõem entre nosso olhar e a realidade. "Quero reinventar a percepção sobre estes objetos, desmontar as poderosas figuras narrativas que embotam a visão", defende o artista.
O novo livro é uma tentativa de descobrir novas maneiras de ´dizer a Amazônia com imagens´, para dar ao espectador a chance de vivenciar uma experiência inédita de contato com a floresta, seus mitos e o poderoso imaginário que a envolve. Textos do próprio artista, oscilando entre o documental e o poético, vão ladeando um percurso de imagens insólitas, às vezes assustador e sinistro, construído de árvores, galhos, terra, rios, barcos, homens e animais.
Contudo, as palavras aqui não vão a reboque, mas funcionam para ampliar o sentido das imagens. "Olho o Rio Amazonas, através da câmera, e a primeira coisa que me vem à cabeça é Moby Dick. Preciso de um verde que equivalha cromaticamente a uma caça à baleia", escreve ele. "Um verde trespassado por arpões, do qual escorre a sua cor complementar. Estranhos são os caminhos da cor, e mais estranho pensar colorido."
O artista empreendeu quatro grandes viagens à região, seguindo o curso do rio Amazonas desde Manaus até Terra Santa, já no Pará. Fantasioso, Omar compara seu périplo amazônico, realizado no ano passado, a uma grande aventura, incursão a outra dimensão do real, façanha digna de um romance de Joseph Conrad (1857-1924), o escritor ucraniano autor do clássico O
Coração das Trevas (1902).
No texto de abertura, Dante nas Águas, ela relata, em cores fortes, o momento crítico da jornada, espécie de rito de passagem, quando a embarcação em que viajava naufragou, ele perdeu todo o equipamento fotográfico, incluindo boa parte dos filmes que já havia batido, e quase morreu afogado. "Não sei se agarrei o barco, ou se foi ele que me agarrou. Descemos o Amazonas a toda velocidade. Meu corpo deixava na água um rastro invisível de adrenalina que devia enlouquecer os pirarucus", escreve. "Eu sou mineiro, não sei nadar."
Entretanto, se o leitor quiser prescindir da palavra, o percurso por O Esplendor dos Contrários pode ser feito apenas através das fotografias, representações da paisagem selvagem que vão de encontro ao conceito estético do "sublime" por seu sentimento de profunda admiração e temor pela grandiosidade e violência da natureza.
Para fazer outro paralelo com a pintura, as imagens de O Esplendor dos Contrários são ricas em associações com as telas de Caspar David Friedrich (1774-1840, maior pintor romântico alemão e um dos gênios mais originais de toda a história da pintura de paisagens), principalmente pelo caminho poético que ambos percorrem em busca da natureza espiritual da paisagem, e na luta para trazer à tona seus aspectos ocultos.
A seguinte definição de um método perceptivo para se aproximar da paisagem foi escrita por Friedrich no início do século 19, mas podia muito bem estar na boca de Arthur Omar
 

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