Dante Milano

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Global Editora, Jan 1, 1998 - 166 pages
Dante Milano (1899-1991) compôs a sua obra poética quase em surdina. Esquivo à vida literária, descrente da glória, avesso à mundanidade, versejou a vida toda, mas por imposição íntima, numa permanente busca da beleza. Em certo sentido foi o poeta puro por excelência, vivendo para a poesia no sentido de viver em poesia (João Cabral de Melo Neto) e não de ser reconhecido como poeta. Escrevia muito e rasgava quase tudo. No final, fruto de mais de 70 anos de atividade poética, restaram 141 poemas. O suficiente para fazer dele uma das principais vozes poéticas do modernismo e um dos nossos poetas mais fortes e mais perfeitos (Manuel Bandeira) em todos os tempos. Participante arredio do movimento modernista, só publicou o primeiro livro perto dos 50 anos de idade e contra a sua vontade, graças à astúcia de um amigo. Considerado o maior acontecimento literário do ano e vencedor do maior prêmio literário de então, as Poesias (1948) apenas vinham confirmar o que os amigos mais íntimos do poeta estavam encantados de saber. Ao longo do tempo, saíram outras edições da obra, aumentadas e revistas, reafirmando a extraordinária fidelidade do poeta a si mesmo, à margem de modas e fórmulas poéticas. Como observa Ivan Junqueira, no prefácio aos Melhores Poemas Dante Milano, contrariando as tendências efusivas e algo emocionais da poesia brasileira Dante Milano cultiva uma poética do pensamento emocionado, como o fizeram os chamados poetas metafísicos ingleses do século XVII, o que não significa que sua expressão haja renunciado à emoção. Um tanto contida, a emoção pulsa forte sobretudo nos temas que obcecam o poeta- a morte (Vem, morte, dor mais branda,/ com esse olhar estagnado e o sorriso tenaz), o amor, o sonho, por vezes entrelaçados num mesmo poema- Quem sonha se transfigura,/ quem morre sorri da morte.

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