Jornalismo popular

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Contexto, 2011 - 141 pages
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Jornalismo, para ser popular, precisa ser sensacionalista? Subestimar o leitor tem sido a prática de muitos veículos da mídia, mas este livro mostra a possibilidade e a necessidade de jornais populares de qualidade. Em uma pesquisa cuidadosa que foge das respostas óbvias, a autora discute os principais veículos e esclarece o que se espera de um bom jornalista que atue no meio. Em ampla expansão tanto na imprensa quanto na mídia eletrônica essa área - com redações que publicam matérias exclusivas, dão furos e ganham prêmios - representa um mercado de trabalho expressivo tanto para profissionais experientes quanto para jovens repórteres.

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AMARAL, M. F. Jornalismo Popular São Paulo: Contexto, 2006, p.141
O livro da Dra. Márcia Franz Amaral é um guia muito útil para aqueles que desejam entender e esmiuçar o olhar potencial da
comunicação nos periódicos populares.
O sensacionalismo da mídia impressa foi abordado com rigor e competência de uma pesquisa comparativa profissional. No texto as referências da autora são intuitivas para jornalistas, professores e estudantes de comunicação, entretanto, passam desapercebidas pela grande massa de leitores da classe C, somando-se a outros repórteres e profissionais da imprensa que foram observados a partir das intervenções e desdobramentos dos objetos estudados. A citação posterior exemplifica o desejo e objetivos primordiais da autora:
“A imprensa popular ligada a grandes empresas de comunicação existe pela necessidade de ampliar o mercado de consumidores de jornais para um público que vive numa situação social, cultural e econômica diferente da do público das classes A e B. Os jornais assumem formas específicas porque o que move essa imprensa é, antes de qualquer coisa, a sedução do público e não a credibilidade ou o prestígio”. Pág. 58
Para ter conhecimento mínimo dessa afirmação foi necessário acompanhar o processo semiótico e lingüístico das fórmulas usuais na imprensa popular. Com especial atenção aos veículos das regiões sul e sudeste, seu foco atingiu os jornais cariocas - O Dia e Extra, os paulistas - Diário de São Paulo e Agora. E com mais detalhes, estatísticas e informações comparativas o Diário Gaúcho do Rio Grande do Sul.
É interessante observar a preocupação com o modo pelo qual se faz Jornalismo hoje em depreciação ao período romântico do exercício da nossa profissão. Após os anos 80 a imprensa de modo geral sucumbiu as necessidades econômicas do Capitalismo para vender jornais as camadas populares sem pensar muito nas conseqüências do que fazer e de como se fazer jornalismo popular com qualidade, observando as necessidades mais abrangentes e o papel social da profissão de jornalista.
Para cativar ou como prefere a autora “seduzir” o leitor e conquistar um “consumidor” vale tudo. Os jornais cada vez mais transformam-se em mercadorias em todos lugares, segmentos e especificidades.
Inicialmente quem consultar o livro poderá pensar ler um alerta sobre como está sendo a transição do momento atual no qual se executam inúmeros objetivos pessoais de donos de Jornal, mais tarde descobrimos que é uma afirmação muito bem estruturada e apoiada com base em suas amostras e pesquisas qualitativas.
A partir da metade de sua obra até o final estão lincados conceitos práticos e trilhando o caminho dos estudos de caso do Diário Gaúcho. Márcia Franz deixa claro que as estratégias de marketing tomaram o lugar do compromisso público com as classes sociais menos favorecidas. Uma habitual relação demagógica e populista dos jornais, levanta a dúbia hipótese que esses leitores não se interessam por noticias políticas e econômicas.
Existem exeções. Porém em reduzido número quando observada a realidade das grandes metrópoles em outros estados como: A Tribuna do Paraná (PR), Jornal da tarde (SP), Diário do Litoral (SC), Super Notícia (MG) entre outros voltados ao “consumidor e leitor” com menos poder aquisitivo e instrução escolar e analítica.
Além disso o livro não possui uma ordem estabelecida para ser lido, os capítulos foram pensados para qualquer pessoa interessada no assunto o que motiva a leitura por qualquer profissional de qualquer área. Traz e levanta informações com tabelas comparativas, o que torna a consulta mais agradável.
Resenha de José Luís de Freitas
http://recantodasletras.uol.com.br/resenhasdelivros/390164
 

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