Obras poeticas de Bocage, Volume 7

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Imprensa portugueza-editora, 1876
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Page 252 - Ao mal, que a vida em sua origem damna. Prazeres, socios meus, e meus tyrannos! Esta alma, que sedenta em si não coube, No abysmo vos sumiu dos desenganos: Deus, oh! Deus!. . . Quando a morte á luz me roube. Ganhe um momento o que perderam annos, Saiba morrer o que viver não soube. O mesmo— Soneto 49.°, pag. 217. Dictado entre as agonias do sen transito fica1 Já Bocage não sou f ... A' cova escura Meu estro vae parar desfeito em vento.
Page 251 - Do tropel de paixões, que me arrastava; Ah! cego eu cria, ah! misero eu sonhava Em mim quasi immortal a essencia humana: De que innumeros soes a mente ufana Existencia fallaz me não dourava! Mas eis succumbe natureza escrava Ao mal, que a vida em sua origem damna, Prazeres, socios meus, e meus tyrannos!
Page 59 - Camões, grande Camões, quão semelhante Acho teu fado ao meu, quando os cotejo! Igual causa nos fez perdendo o Tejo Arrostar co sacrílego gigante: Como tu, junto ao Ganges sussurrante Da penúria cruel no horror me vejo: Como tu, gostos vãos, que em vão desejo, Também carpindo estou, saudoso amante...
Page 95 - Anacreonte luso, E a quem melhor de Anacreonte fulo , Cabe o nome ; pois tanto o fulo Caldas Imita Anacreonte em versos, quanto Negro peru na alvura ao branco cysne. .A culpa não estava da parte do Caldas, mas da sociedade ignára que se comprazia com esse genero.
Page 234 - Com tabernal chaníana, alarve almoço, A expensas do coitado orango•tango, Que uma serpe engordou cevando Elmiro. Estas injurias pessoaes têm a importancia de virem explicar como os odios do tempo da Nova Arcadia não estavam apagados, sendo elles o motivo das denuncias, que tantos desastres acarretaram sobre Bocage.
Page 45 - A formosura desta fresca serra E a sombra dos verdes castanheiros; O manso caminhar destes ribeiros Donde toda a tristeza se desterra; O rouco som do mar, a estranha terra, O esconder do Sol pelos outeiros, O recolher dos gados derradeiros, Das nuvens pelo ar a branda guerra; Enfim, tudo o que a rara Natureza Com tanta variedade nos ofrece, Me está, se não te vejo, magoando.
Page 206 - Lendo teus versos, numeroso Elmano, E o não vulgar conceito ea feliz phrase, Disse entre mim : — Depõe, Filinto, a lyra Já velha, já cansada ; Que este mancebo vem tomar-te os louros, Ganhados com teu canto na aurea quadra Em que ao bom Corydon, a Elpino, a Alfeno Ápplaudia Ulyssêa.
Page 37 - Mil vezes tenho escrito e mil beijado. Nunca mais me verás entre o meu gado, Soprando a namorada e branda avena, A cujo som descias mais serena, Mais vagarosa para o mar salgado.
Page 162 - Liberdade, onde estás? Quem te demora? Quem faz que o teu influxo em nós não caia? Porque (triste de mim!) porque não raia Já na esfera de Lísia a tua aurora? Da santa redenção é vinda a hora A esta parte do mundo, que desmaia. Oh! Venha... Oh! Venha, e trémulo descaia Despotismo feroz, que nos devora!
Page 59 - Mas, oh tristeza!... Se te imito nos transes da ventura, Não te imito nos dons da Natureza.

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