Poesias, 1884-1887: (Panoplias, Via-lactea, Sarças de fogo).

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Teixeira & Irmão, 1888 - 226 pages
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Page 101 - A MINHA MÃE Sei que um dia não há (e isso é bastante A esta saudade, mãe!) em que a teu lado Sentir não julgues minha sombra errante, Passo a passo a seguir teu vulto amado . — Minha mãe! minha mãe! — a cada instante Ouves. Volves, em lágrimas banhado, O rosto, conhecendo soluçante Minha voz e meu passo costumado. E sentes alta noite no teu leito Minh'alma na tua alma repousando, Repousando meu peito no teu peito . . . E encho os teus sonhos, em teus sonhos brilho, E abres os braços...
Page 23 - Celebraste o domínio soberano Das grandes tribos, o tropel fremente Da guerra bruta, o entrechocar insano Dos tacapes vibrados rijamente, O maracá e as flechas, o estridente Troar da inúbia, eo canitar indiano. . . E, eternizando o povo americano, Vives eterno em teu poema ingente. Estes revoltos, largos rios, estas Zonas fecundas, estas seculares Verdejantes e...
Page 164 - Entra e se espalha palpitante e viva. Entra, parte-se em feixes rutilantes, Aviva as cores das tapeçarias, Doura os espelhos e os cristais inflama. Depois, tremendo, como a arfar, desliza Pelo chão, desenrola-se, e, mais leve, Como uma vaga preguiçosa e lenta, Vem-lhe beijar a pequenina ponta Do pequenino pé macio e branco.
Page 79 - Deixa que o olhar do mundo enfim devasse Teu grande amor que é teu maior segredo! Que terias perdido, se, mais cedo, Todo o afeto que sentes se mostrasse? Basta de enganos! Mostra-me sem medo Aos homens, afrontando-os face a face: Quero que os homens todos, quando eu passe, Invejosos, apontem-me com o dedo. Olha: não posso mais! Ando tão cheio Deste amor, que minh'alma se consome De te exaltar aos olhos do universo. . . Ouço em tudo teu nome, em tudo o leio: E, fatigado de calar teu nome, Quase...
Page 167 - Para essa bocca que esperamos, pulsa Nestas carnes o sangue, enche estas veias, E entesa e apruma estes rosados bicos...
Page 195 - Beijemo-nos! que o mar Nossos beijos ouvindo, em pasmo a voz levante! E cante o sol! a ave desperte e cante! Cante o luar, Cheio de um novo fulgor! Cante a amplidão! cante a floresta! E a natureza toda, em delirante festa, Cante, cante este amor! Rasgue-se, à noite, o véu Das neblinas, eo vento inquira o monte eo vale: "Quem canta assim?
Page 121 - De uma pátria distante e idolatrada, Cuja saudade ardente me consome: E ouvi-lo é ver a eterna primavera E a eterna luz da terra abençoada, Onde, entre flores, teu amor me espera.
Page 133 - E das roupas, enfim, livres os corpos saltam, Nenhuma hetera sabe a primorosa taça, Transbordante de Cós, erguer com maior graça, Nem mostrar, a sorrir, com mais gentil meneio, Mais formoso quadril, nem mais...
Page 85 - E eu vos direi, no emtanto, que, para ouvil-as, muita vez desperto e abro as janellas, pallido de espanto . . . E conversamos toda a noite, emquanto a vía lactea, como um pallio aberto, scintilla. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, inda as procuro pelo céo deserto. Direis agora: "Tresloucado amigo! que conversas com ellas? Que sentido tem o que dizem, quando estáo comtigo?
Page 90 - Todas, formosas como tu, chegaram, Partiram... e, ao partir, dentro em meu seio Todo o veneno da paixão deixaram. Mas, ah! nenhuma teve o teu encanto, Nem teve olhar como esse olhar, tão cheio De luz tão viva, que abrazasse tanto!

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