Um Feixe de pennas

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Typ. Castro Irmão, 1885 - Portuguese poetry - 171 pages
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Page 167 - Assim a Morte diz. Verbo velado, Silencioso intérprete sagrado Das coisas invisíveis, muda e fria, É, na sua mudez, mais retumbante Que o clamoroso mar ; mais rutilante, Na sua noite, do que a luz do dia.
Page 49 - E enquanto eu na varanda de marfim Me encosto, absorto num cismar sem fim, Tu, meu amor, divagas ao luar, Do profundo jardim pelas clareiras, Ou descansas debaixo das palmeiras, Tendo aos pés um leão familiar.
Page 1 - Estranhei, pois, que V. Ex.a me não felicitasse por estar surdo, quasi cego, tropego, com duas nevroses em cada nervo, com duas atonias formadas, uma no estomago, outra no fígado ea terceira a principiar no cerebro».
Page 18 - ... visinha do desdem; olhando para o proximo e para o mundo sem desprezo nem orgulho, mas com a ironia caridosa que se deve a todas as cousas involuntariamente inferiores; contemplando finalmente com uma curiosidade placida e discreta o nevoeiro dos mysterios e problemas que, sondados...
Page 18 - Aquelle que, sem ter de esmagar desapiedadamente os sentimentos e paixões da sua natureza, sem ter de partir a mola interior que o torna um ser vivo, consegue mitigar, moderar, ponderar ou equilibrar os impulsos do seu sangue com os dictames das suas...
Page 47 - Os sonetos, que envio, apezar de antigos, são inéditos; e como imagino que o livrinho é destinado principalmente a correr mãos femininas, achei preferível contribuir com aquellas cousinhas antigas e ternas, que, em summa, são innocentes e não apavoram, a enviar-lhe dos Apocalypses que agora faço, «pesadellos rimados», como lhes chama um meu amigo, entendido em rimas e em pesadellos.
Page 94 - Hermon, ficara refrescando as almas; e logo a terra pareceu menos dura, e todo o fardo pareceu menos pesado».
Page 50 - Quando nós vamos ambos, de mãos dadas, Colher nos vales lírios e boninas, E galgamos dum fôlego as colinas Dos rocios da noite inda orvalhadas; Ou, vendo o mar, das ermas cumiadas, Contemplamos as nuvens vespertinas, Que parecem fantásticas ruínas Ao longe, no horizonte, amontoadas: Quantas vezes, de súbito, emudeces! Não sei que luz no teu olhar flutua; Sinto tremer-te a mão, e empalideces. O vento eo mar murmuram orações, E a poesia das cousas se insinua Lenta e amorosa em nossos corações.
Page 97 - Ao seu lado, por vezes, um legionário, entre as ameias, apontava vagarosamente ao alto a flecha, e varava uma grande águia, voando de asa serena, no céu rutilante. A filha de Septimus, seguia um momento a ave, torneando até bater morta sobre as rochas: - Depois, com um suspiro, mais triste e mais pálida, recomeçava a olhar para o mar.
Page 48 - Sonho-me às vezes rei, nalguma ilha, Muito longe, nos mares do Oriente, Onde a noite é balsâmica e fulgente E a lua cheia sobre as águas brilha... O aroma da magnólia e da baunilha Paira no ar diáfano e dormente... Lambe a orla dos bosques, vagamente, O mar com finas ondas de escumilha... E enquanto eu na varanda de marfim Me encosto, absorto num cismar sem fim, Tu, meu amor, divagas...

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